21 de julho de 2021

Taty Xavier: vencendo adversários e o machismo a 260 km/h

Campeã brasileira e eleita a musa das arrancadas, Taty Xavier provou, na velocidade de um carro turbinado em uma pista, que o lugar da mulher é onde ela quiser

Ela desafiou o machismo comum ao automobilismo. Já venceu etapa brasileira de prova de arrancadas com a ponta do eixo soldada e hoje, prepara-se para entrar em outra modalidade. Como se tudo isso não fosse vitória suficiente, ainda foi nomeada “musa das arrancadas”. Casada e mãe de dois filhos, a loira de 1,70 m deixou claro que as mulheres podem estar onde elas quiserem e fazerem o que elas quiserem, com tanta ou mais qualidade que os homens.

Taty, como é conhecida no meio, sempre gostou de carros, desde pequena. Ainda na adolescência, na metade dos anos 1990, trabalhava na empresa de comunicação visual da família fazendo e colando adesivos nos carros dos pilotos. “Ali comecei a ver como funcionava a arrancada e me identifiquei na hora”, lembra. Depois disso, vieram troféus e recordes. Com sua Saveiro, fez 260 km/h na categoria FLD (Força Livre Dianteira); com um Fiat Uno, chegou a 170 km/h em 13,5 segundos na categoria Desafio.

Essa história você conhece agora, na entrevista que o Blog Militec 1 fez com essa mulher que, a mais de 200 km/h, conquista recordes e troféus enquanto passa por cima de qualquer piada machista.

Militec 1 – Quando foi que você fez sua primeira corrida em uma prova de arrancada?

Taty Xavier – Foi por volta de 2007. Eu já estava casada e já tinha meus filhos. A gente tinha um Fiat Uno e o meu marido resolveu colocar uma turbina T2 para deixar mais fortinho, porque a gente sempre gostou de acelerar, curtia as provas de arrancadas, mas como público. Até que, em um belo dia, ele decidiu correr nos 201 metros, no autódromo de Pinhais, e, na hora da inscrição, viu que a carteira dele estava vencida. Então eu disse: “Posso ir no seu lugar”. Até a moça que trabalhava na Força Livre se surpreendeu: “Mas você, uma mulher, querendo andar na arrancada?”.

Então eu fui, fiz cinco arrancadas nesses 201 metros e ganhei três. Aquilo abriu meus olhos para a arrancada. Meu marido e meus filhos me deram apoio total para me federar e entrar nas competições. Aquilo foi muito emocionante; emparelhar no pinheirinho [o semáforo utilizado nas provas], acelerar tudo o que podia e ganhar. E, na época, não havia mulheres na arrancada.

Militec 1 – E como foi esse começo e o processo de adaptação à modalidade?

Taty Xavier – Comecei a correr o campeonato paranaense. Sou muito competitiva. Quando entro em um negócio para competir, é para ganhar. Então fomos evoluindo com o Fiat Uno: mudamos a turbina, preparamos o cabeçote, pistão forjado, mexemos em toda a configuração do motor. Nós usávamos uma turbina de 36’48. Foi aí então que comecei a ganhar as provas de arrancada. Ganhei o 18º Festival Brasileiro de Arrancada, em dezembro de 2011, no autódromo de Pinhais. A única mulher que ganhou esse tipo de prova. Foi muito gratificante, porque tivemos problemas no carro, na ponta do eixo do meu Uno. Tivemos que sair sábado à tarde procurando alguém que fizesse a ponta do eixo. E acabou que fui com ela soldada, e meu mecânico pediu para que eu não acelerasse tudo. Mas, quando você entra no carro, alinha no pinheirinho e vê a arquibancada lotada, só pensa em acelerar e ganhar. Também foi gratificante por ter eu sido pioneira, inspirar outras mulheres. Quando comecei na arrancada, tinha gente que achava que eu era só uma menina querendo aparecer. Mas mostrei que queria competir. Em todas as provas, voltei com algum troféu pra casa.

Militec 1 – Qual era a reação dos outros pilotos diante de uma mulher que fazia melhores tempos que eles e os vencia na prova de arrancada?

Taty Xavier – Logo que eu comecei, quando eu ganhava já na “puxada”, ouvia nos boxes outros pilotos falando: “Ela só ganhou porque meu carro quebrou”, ou “Ganhou porque errei a marcha”. Isso no começo. Quando perceberam que eu estava lá pra competir e ganhar, pra competir sério, isso mudou. Tanto que fui conquistando troféus e, com o tempo, ganhei o título de “musa da arrancada”. Fico muito feliz de servir de inspiração para outras mulheres que vieram depois para participar das provas.

Militec 1 – Fale sobre as provas mais marcantes, aquelas que você nunca esqueceu.

Taty Xavier – A mais emocionante foi a do 18º Festival Brasileiro de Arrancadas, quando fui campeã, que corri com a ponta do eixo soldada. Porque era muita pressão em cima de mim, eu já me cobrava muito e estava com uma peça que tinha sido soldada. E não havia certeza nenhuma de que ela ia aguentar os 402 metros da prova. Mas cada prova tem uma história, uma conquista diferente, uma expectativa.

Teve uma prova que foi realizada no Porto de Paranaguá, em novembro de 2010. Foi muito legal. E, até domingo, dia da última prova, eu estava em primeiro lugar, mas um rapaz baixou o meu tempo e fiquei em segundo. Foi muito legal correr no porto, ao lado dos navios, do mar. E ali não teve divisão de categoria, correu todo mundo junto. Eram os 201 metros e você tinha que fazer em até dez segundos.

Militec 1 – E, depois que passar a pandemia, quais são seus planos?

Taty Xavier – Vendi meu Uno e a Saveiro, os dois que eu usava nas arrancadas. Estou me preparando para as provas de drift. Tenho uma BMW para ser preparada para o drift. A minha ideia é essa, agora: me fixar no drift, ampliar os horizontes. Em paralelo, também organizo eventos nesse universo automotivo. Desde 2015, organizo o Curitiba Show Car, para expor carros rebaixados, modificados e antigos. E, dentro do evento, fazemos shows de manobras. Tem todo tipo de carro, Maverick, Dodge… E, quando dá tempo, eu também faço show de manobras com a BMW. Todos esses eventos, desde que começamos, são em parceria com a Militec Brasil.
http://www.superdriftbrasil.com.br/entenda-o-drift/

Militec 1 – Então, já que você tocou no assunto, como entrou o Militec 1 na sua vida de piloto?

Taty Xavier – Em todos os meus carros, nos de arrancada, nos de uso pessoal e de fazer manobra, eu uso o Militec 1. E os resultados são sempre impressionantes. No meu Uno de arrancadas, eu sempre usei Militec 1 e, durante um ano fazendo as provas, não tivemos nenhuma quebra de motor. O Militec 1 conserva melhor as peças do motor, com certeza absoluta. Nós andamos um ano nas provas de arrancada, e exigimos muito do carro. Eu andava na categoria de 15 segundos e ali eu dava tudo do carro. E não houve uma quebra de motor. Cuidávamos das outras peças, suspensão, regulagem de turbina, pneus… mas problema no motor, nada.

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