8 de junho de 2021

Militec entrevista Maurício Debarba, piloto de arrancadas

O piloto paranaense é sinônimo de recordes quebrados em autódromos pelo país em provas de arrancada. E nós, da Militec Brasil, batemos um papo com ele. Confira!

Se você gosta de velocidade, esta história é para você. Maurício Debarba é sinônimo de velocidade no universo das provas de arrancada no Brasil. Pilotando dragsters – aqueles carros com rodas traseiras maiores e que precisam da ajuda de paraquedas para frear devido à velocidade que atingem – em boa parte da carreira, já chegou a fazer mais de 400 km/h em uma reta. Bateu recordes em autódromos do país e ostenta uma estante com mais de 200 troféus. 

Hoje, aos 57 anos, mas com o espírito de um garoto, Maurício tem a sua própria garagem e equipe, a Debarba Drag Racing, em São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba (PR), onde nasceu, e já planeja voltar às pistas quando a pandemia for passado.

Em um bate-papo, Maurício contou sobre a sua trajetória nesse universo das arrancadas, falou sobre recordes e contou histórias curiosas sobre a sua vida a toda velocidade. 

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Blog Militec 1: Quando você percebeu que tinha talento para as arrancadas?

Gosto de velocidade desde os meus 17, 18 anos. Fiz a minha primeira corrida em 1988, em Dois Vizinhos, próximo a Cascavel (PR). Eu tinha um Maverick, e ali ganhei o meu primeiro troféu. Foi uma corrida de arrancada na terra batida, porque lá não tinha autódromo. De lá, fui para o autódromo de Cascavel, em provas de 400 metros, também com o Maverick. Depois disso, então, eu vim correr no autódromo de Pinhais [Autódromo Internacional de Curitiba], no começo dos anos 1990. 

Blog Militec 1: Como foi essa primeira etapa em Curitiba?

Aqui em Curitiba, o meu primeiro carro foi um Opala turbo, que na época era chamado de “Trovão Azul”. Coloquei turbo e óxido nitroso nele. Recuei o motor, coloquei pneu slick atrás. Nessa época a gente já aliviava o peso do carro para as arrancadas. Ali já comecei bem a minha carreira, tanto que fiz o recorde de 12.50 segundos nos 400 metros. Foi o recorde da época. O anterior era de 13.10 segundos.

Alguns momentos da carreira de Maurício Debarba

Blog Militec 1: E por que você decidiu ir para o dragster?

Foi por uma questão de custos. Por isso fui para as gaiolas, os chamados tubulares. Inicialmente a gente fez um dragster tubular, feito pelo “Track”, apelido do mecânico na época. E, então, logo eu comecei a trabalhar com o “Italiano” [Vilmar Comelli]. Isso foi lá por 1992, 1993. Ele fez questão de fazer o meu carro para bater o recorde anterior, que era de 10.76 segundos. Eu fiz 10.67 segundos. Nós ficamos muito satisfeitos, porque fizemos o recorde da categoria. Andei um bom tempo com o Italiano, mais ou menos dois anos, sempre na ponta. Não me lembro de ter perdido uma corrida. 

Depois o Italiano seguiu com outras atividades e eu fui para a PowerTech, do João Alexandre de Abreu. Fui gerente da loja dele e, nessa época, preparamos a parte de concreto do autódromo de Curitiba e também os painéis utilizados nas etapas de arrancadas. Contamos com a parceria do Flávio Chagas, que era um dos donos do autódromo naquela época, gente boníssima, que nos ajudou muito. Ele [João Alexandre] fez para mim um dragster light e, depois disso, passei a andar nos dragsters grandes dele. 

Hoje, tenho mais de 200 troféus. São 180 só de primeiro lugar. O meu último recorde foi em 2016, no Velopark, no Rio Grande do Sul. Fiz 6.80 segundos nos 402 metros e 4.26 segundos nos 201 metros.  Cheguei a 270 km/h, e esse recorde permanece até hoje. A minha última corrida foi em 2019, também no Velopark. Nessa, fiquei em terceiro lugar. Isso foi no Segundo Festival Brasileiro de Arrancadas. 

Prova de arrancada: Maurício Debarba x Alejandro – Curitiba, 2011 

Blog Militec 1: Você deve ter boas histórias para contar das corridas que participou. Consegue lembrar de algumas?

Claro, tenho muitas. Fiz uma corrida em Guaporé, em que largamos eu e o saudoso Fontana. Todos nesse mundo das arrancadas sabem quem foi o Fontana. E, tanto em Guaporé quanto em Cascavel, as pessoas são muito ligadas em arrancada. Elas adoram esse tipo de prova. Fazíamos as largadas separados para alcançar o melhor tempo e chegar à final. Chegamos eu e ele. E era legal que, na última largada, já um contra o outro, a organização da prova tocava a música do Ayrton Senna no momento da chegada. O autódromo estava lotado e, conforme, e conforme a gente foi se aproximando da chegada, parte do público foi acompanhando atrás do muro de separação da pista. De repente, o muro caiu! As pessoas começaram a cair para dentro da pista. Eu e o Fontana passamos a cerca de três metros delas! 

Blog Militec 1: Há um vídeo seu no YouTube em que você capota um dragster em Interlagos. Como isso aconteceu?

Exatamente, eu capotei em Interlagos, pilotando o mesmo dragster slingshot com que fiz o recorde de 1990, em que cheguei a 407.50 km/h. Esse sling tem o motor na parte de trás. Fomos eu e o Alexandre, da PowerTech, e eu disse a ele que iria acelerar uns 200 ou 300 metros só, porque logo no fim da reta tinha a curva do S do Senna. Só que eu percebi que o carro dava uma patinada, mas depois ele crescia em velocidade. Não era para ir até o fim da reta acelerando, era para tirar o pé antes. Mas, no momento em que vi aquela pista, falei: “Vou empurrar o pé até o fim” (risos). Eu fui, um dos paraquedas se abriu por causa do solavanco, e aí o carro picotou. Cara, aquele muro chegou numa rapidez (risos), porque geralmente tem aquela área de frenagem, mas aquilo foi incrível. Quando entrei na curva e percebi que capotaria. Eu fui fazendo a curva e soltando o volante conforme sentia que ele capotaria. Eu fui até que ele deu um ou dois capotes, mas não foi nada grave, porque eu já tinha diminuído bem a velocidade. Então ele capotou, mas eu continuei andando com ele. Fui andando com ele até os boxes, mas meio assim, né (risos). Aí a turma dizia: “Esse cara é maluco, capotou e ainda seguiu pilotando” (risos).

Capotamento em Interlagos

Blog Militec 1: Com a pandemia, tudo parou, incluindo as etapas de arrancada, como o Força Livre, disputado no Autódromo Internacional de Curitiba. Mas quais são os seus planos para depois que tudo isso passar?

Estou com um dragster pronto na minha frente. Ele é patrocinado pela Militec Brasil e foi preparado pela equipe Speed Unlimited. Estou com esse dragster desde 2014, mais ou menos, e com ele bati outro recorde em 2016. Assim que essa pandemia passar, minha intenção é voltar para as pistas e seguir, se possível, em busca de novos recordes.

Blog Militec 1: Já que você falou em Militec, qual uso você faz do Militec 1, o condicionador de metais distribuído no país pela Militec Brasil, nos carros de prova e em seus carros de passeio?

Quando você pilota um dragster, é muita velocidade em um espaço muito curto de tempo, muita potência, então é muito difícil para o piloto perceber alguma alteração de performance.  Mas muitos dos carros que usei para competir recebiam Militec 1, e todos os mecânicos que preparavam meus carros diziam que, com o uso do Militec 1, os motores duravam mais, e que era muito difícil de haver uma quebra. 

Quanto aos meus carros de passeio, uso o Militec 1 em todos. Hoje tenho um Corvete, já tive um Camaro 2012 e uma Audi RS 4. Em todos eles, utilizei o Militec 1 e nunca tive problemas. Só vi benefícios. Por isso recomendo o uso do condicionador de metais sempre que tenho oportunidade.

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