11 de março de 2022

Scort e Opala YBL: a história da dupla mais famosa da arrancada brasileira

Piloto fala sobre a polêmica mudança do motor 6 cilindros para o V8, a disputa mundial para o carro virar um Hot Wheels e o Armageddon, a nova febre da modalidade no país.

Se você acompanha a arrancada no Brasil há um bom tempo, diga: qual é o primeiro piloto da modalidade que lhe vem à cabeça? Nove em cada dez fãs terão um nome da ponta da língua: o mito Scort, como é conhecido Agenor Avelino Scortegagna Júnior.

Uma parcela do sucesso do esporte no país se deve a esse catarinense de Lages, radicado na capital paranaense, desde 1984.

Ele é uma celebridade no mundo da arrancada, e um dos motivos por multidões lotarem as arquibancadas no Autódromo Internacional de Curitiba (AIC), em Pinhais, nos áureos tempos dos festivais, que ocorreram até 2016.

A pintura amarela e preta, que identifica o Opala Yellow Black Lethal, surgiu no início dos anos 2000. Crédito: Arquivo pessoal.

Para competir em popularidade com o “Big Urso”, seu outro apelido, só mesmo o lendário Chevrolet Opala Yellow Black Lethal, número 888.  

Aliás, é impossível não pensar em Scort sem associá-lo ao Comodoro 4100, ano 1977, pintado nas cores amarela e preta, com um blower gigante saindo do capô e o scoop com as iniciais “YBL” nas três borboletas que se abrem para o ronco grosso do V8.

É uma união que surgiu em 1988 e que já dura 33 anos, com muitas conquistas e recordes na bagagem. Scort não compete há mais de três anos e tem focado suas participações somente com exibições nas pistas e ações promocionais fora dela. Aliás, algo que já vinha fazendo mesmo durante as disputas.

Neste bate-papo do Blog MILITEC 1 com o multicampeão das arrancadas, Scort, hoje com 55 anos, relembramos algumas passagens importantes da sua trajetória, como a polêmica mudança do motor 6 cilindros para o V8 no YBL, a participação no concurso mundial para virar um Hot Wheels, além do novo formato da modalidade no Brasil, o Armageddon.

A enorme asa traseira e o paraquedas são acessórios para manter o Opala grudado ao chão e segurá-lo na hora da frenagem. Crédito: Arquivo pessoal.

Blog MILITEC 1 Scort e YBL são a dupla mais famosa da arrancada brasileira. Como ela surgiu?

Foi na virada de 1987 para 1988. Eu já competia no AIC e também com um Opala, que revezava em sociedade com o grande amigo Joãozinho Milico (já falecido). Decidi comprar um outro Opala. Um Comodoro 1977, marrom metálico, com meio teto de vinil bege e motor 4100, de 6 cilindros.

Mas precisava de uma cor que chamasse a atenção. E, vendo os carros americanos de competição em revistas, veio a ideia de pintar de amarelo e de dar o apelido de “Amarelo Mortal” ou Yellow Lethal

Na época, usava a mecânica original, pouco preparada e com injeção de nitro, que atingia 300 HP de potência. Depois veio o turbocharger, com injeção de nitro, até chegar ao V8 Big Block Top Fuel, que atinge cerca de 3.500 cavalos e 400 km/h.

As diferentes facetas do Opala do Scort ao longo dessas três décadas de história na arrancada. Crédito: Arquivo pessoal.

Blog MILITEC 1 Como o “Black” entrou no nome?

O Yellow Lethal durou até o fim de 1999. Quando virou o ano, ao ser levado para umas exibições, a carreta bateu e tivemos de refazer o carro. Não dava tempo de pintar de amarelo, por isso usamos o preto fosco para esconder os danos na lataria

Apareci no autódromo com o preto e o público foi à loucura. Aí pensei: como vou colocar o amarelo agora? Era uma cor que eu gostava. Decidi usar metade de cada uma e assim nasceu o Yellow Black Lethal

Eu sempre busquei algo diferente. Sou muito detalhista, tanto que o veículo é rico em detalhes. Contudo, nunca perdendo a história e a essência do Opala, do muscle car, uma paixão nacional.”

Blog MILITEC 1 – A imagem do Scort também era associada ao “piloto da Goodyear”. Quanto tempo durou a parceria?

Começou em 2004 e durou cerca de seis anos. Foi um período de muito sucesso nas pistas. A marca também patrocinava a Força Livre Motorsport (organizadora da arrancada e dos festivais de 1991 a 2016). 

A Goodyear investia bastante e a modalidade bombava. Ela cedia os pneus para eu correr e também a preparação. Fui garoto-propaganda. Trabalhei que nem um louco

Aí começou a recessão nos EUA, no fim da década de 2000. A Goodyear decidiu encerrar com a Força Livre, mas ficou comigo. Ainda fizemos várias ações, porém a empresa queria publicidade nas lojas. Só que era desgastante ficar viajando, e acabamos não nos acertando

Eu dava um bom retorno de mídia para a marca, porém, meu negócio era nas pistas e não em lojas. Outros pilotos tinham parceria com a Goodyear, como o Batistinha (de São Paulo), mas era via revenda. Eu era o piloto exclusivo da fábrica. Só que o namoro acabou em 2010.

Mesmo assim, até hoje existe essa ligação do meu nome com a marca. Em 2018, a Goodyear me procurou propondo uma parceria de ações em lojas do MERCOSUL, como no Uruguai, Argentina e Chile. Antes já não queria fazer loja no Brasil, imagine fora.”

Garoto-propaganda da Goodyear na arrancada, Scort até hoje é associado à marca de pneus. Crédito: Arquivo pessoal.

Blog MILITEC 1 – Quando o YBL saiu dos 6 cilindros e virou um V8? É verdade que os fãs ficaram indignados?

De 2005 para 2006. A gente trocou devido ao regulamento e à competição cada vez mais acirrada. Eu concorria com carros de motores grandes, com mais de 3.000 HP. E eu, à época, tinha 1.300 HP com nitro. Andava no limite, com quebras constantes. 

Quando fiz essa mudança, de motor original 6 cilindros para o 8 cilindros em “V”, os conservadores e fãs do Opala ficaram revoltados, a ponto de queimarem camisetas (com o desenho do YBL) em frente à minha casa.

Não queriam que trocasse o motor. Até hoje existe essa rejeição, mas diminuiu muito. É igual àqueles fãs de fusca, que não gostam que coloquem motor AP no lugar do propulsor a ar.

Realizamos uma enquete para medir a aprovação na troca. Ficou meio a meio. A nova geração queria um V8 e os mais antigos, conservadores, o 6 cilindros

Começamos a brigar de igual para igual com os caras, andando na frente, e aí acalmaram um pouco. A gente é opaleiro, opaleiro ama o 6 cilindros, e eu também.

Só que na época não tinha para onde correr. Havia a pressão dos patrocinadores também. A gente foi para o V8, que trouxe muita felicidade para os fãs. Fomos várias vezes recordistas, ganhando muitos campeonatos.”

Blog MILITEC 1 – Quais as outras modificações que foram feitas no Opala original?

Sempre vinha aprimorando o carro, buscando maior potência. Mexemos na aerodinâmica, na estética, no entre-eixos, alongado em 30 cm, e no teto, rebaixado também em 30 cm. E, com a enorme asa, ele ficou ainda mais longo.

Fomos alterando até chegar ao visual de hoje. A pintura em alto-relevo, com o desenho de um urso no capô, é a mesma há anos e foi feita pela artista de Curitiba Benê Costa.

No entanto, a carroceria continua na lata, sempre mantida original. Apesar das modificações, nunca recebeu fibra, com exceção do spoiler na parte frontal inferior

O YBL possui várias peças que estão desde o início de 1977, como o teto, a tampa traseira e um dos paralamas.”

O poderoso Big Block de 500 polegadas, usado em competições americanas, despeja uma potência de 3.500 cavalos. Crédito: Juninho YBL.

Blog MILITEC 1 – E a mecânica do YBL? 

O motor V8, no início, era um Small Block, de 400 polegadas. Quando ele quebrou no Velopark (em Nova Santa Rita – RS), mudamos para um Big Block Top Fuel de 500 polegadas, usado nas competições americanas

Ele é tocado com combustível metanol, um pouco de nitrometano, bomba e bicos mecânicos. Usamos pouquinho nitro, mais para o final de curso nas puxadas. A potência já é tão grande que não há necessidade de nitro. Se usarmos mais, como é feito em disputas lá fora, aí dobra a potência

A tração é traseira, com pneus de 17 polegadas de largura atrás. No início eram 12. Na frente, um pneu fino para direcionar o veículo. O freio é especial porque é muita velocidade para um curto espaço de pista

O veículo conta ainda com apoio de dois paraquedas, pois só o freio não segura. São mais de 300 km/h do zero aos 400 metros. É muito rápido. Tem de estar bem preparado e bem assistido para a frenagem. A pista também precisa ter uma área de escape, para que a apresentação tenha a melhor performance possível.

Hoje o YBL tem 1.150 kg sem o piloto. O motor, o câmbio, o cardã e o diferencial foram importados. O diferencial é especial, um Dana 60, para aguentar a puxada. Não conseguimos usar os 3.500 cavalos plenamente, porque a pista precisa de tratamento com um composto especial.”

Detalhe do interior do Chevrolet, adaptado com uma gaiola tubular de competição e acessórios esportivos. Crédito: Arquivo pessoal.

Blog MILITEC 1 – Qual foi a disputa que mais marcou a sua trajetória vitoriosa?

A última corrida sob o patrocínio da Goodyear, em 2010. Era um Festival de Arrancada, no AIC. Foi a última largada do evento, inclusive com o Opala atravessando na pista

Tem vídeos na internet mostrando essa minha escapadinha, quase no fim da reta, competindo com um Maverick, uma eterna rivalidade. Quando falo em arrancada, essa é a disputa que primeiro me vem à cabeça.

O povo foi à loucura. Imagine, quase três horas da tarde, num domingo de festival. Tinha muita gente gritando. Aquela foi a corrida que mais me marcou.”

Blog MILITEC 1 – Por falar em festival, no evento épico de 1996, no primeiro desafio Brasil e EUA, como você se saiu?

Fomos bem. Ainda corria com o 6 cilindros. Houve duas etapas. Quebramos o motor na primeira e ganhamos o festival na segunda, na categoria Pro Mod (uma das mais competitivas da arrancada à época).

Blog MILITEC 1 – E os recordes do YBL?

Por vários anos, foi eleito o Opala mais rápido do mundo. Também temos o recorde na largada dos 402 metros do Autódromo de Curitiba, com 6,9 segundos na categoria Pro Mod.

Hoje até conseguiram fazer num tempo menor, mas lá no Velopark, que é um outro tipo de pista. Fomos recordistas em diferentes categorias.”

Blog MILITEC 1 – Os fãs já estão com saudade do Big Urso nas pistas. Quando vai sair da toca?

Mantive o contato com o meu público durante a pandemia pelas redes sociais, em lives no Facebook (@scort.piloto.scortgagna), Instagram (@scortdragracing) e YouTube (ScortDragRacing), e ainda em entrevistas a programas especializados de arrancada, além de algumas aparições em eventos.

Também recebo fãs em casa para tirar fotos, principalmente com a criançada (Scort mora em Colombo, região metropolitana de Curitiba, desde 2003).

Agora, para competir já deu. Não vou mais correr, só fazer exibições. Para 2022, devo aparecer em Goiânia, que tem uma pista maravilhosa. Também Guaporé (RS), Brasília, Toledo e Tremembé (SP). São lugares que me dão prazer de estar, onde fui bem recebido e me divirto. Além disso, tem tratamento de pista ou área de escape para acelerar com segurança.

Tem ainda a pista de Itatiba (SP), perto de Taubaté, que pertence ao Grandão (Sidnei Frigo, famoso piloto de Dragster) com a parceria do Eduardo Pereira (fundador da Força Livre Motorsport e já entrevistado pelo Blog MILITEC Brasil).

O Grandão já me ligou convidando para os eventos em 2022. É possível que lá se torne o grande centro da arrancada nacional.

A abertura oficial da São Paulo Internacional Dragway (SPID) está prevista para 25 de março, com a SPID Cup.”

A admiração dos fãs de Scort e seu Opala chega ao ponto de eternizar o sentimento na própria pele. Crédito: Divulgação.

Blog MILITEC 1 – Sua relação com os fãs sempre foi de muito carinho, tanto que ganhou outro apelido, o “Piloto do Povo”.

Eu sempre digo que é importante dar atenção ao público e aos fãs de velocidade. Eu sempre me desdobrava para agradar a todos. O carro quebrava, mas mesmo assim não poderia ficar de cara fechada

E essa atenção é o que falta hoje. O pessoal não tem paciência. Sempre me identifiquei com a arrancada e trabalhei para que fosse um sucesso do início ao fim

A arrancada tem um público fiel que adora as provas. E, como eu gosto de estar no meio do povo, foi o lugar em que mais me identifiquei. 

E um diferencial para conquistar tantos fãs é que sempre competi com o mesmo Opala. Um casamento que já dura 33 anos. Eu costumo dizer que ele é o meu RG

Se tivesse trocado de carro ao longo do percurso, talvez não tivesse tantos admiradores. Porque quem vê o Opala também me vê, e vice-versa.”

Blog MILITEC 1 – E o Armageddon, estilo de arrancada que ocupou o espaço da arrancada tradicional no país?

Teve um Armageddon no AIC (19 e 20/11/2021). Fui convidado a fazer uma exibição, mas minha mãe, de 86 anos, estava doente no hospital, aí não tinha cabeça para participar.

Foi um megaevento. É o que está mandando hoje na arrancada brasileira. Esse é um encontro de listas, semelhante ao das corridas proibidas dos EUA. Tem a lista 11 de São Paulo, a 51 de Porto Alegre, a 43 de Londrina e a 41 de Curitiba.

Cada região envia meia dúzia de carros para disputas eliminatórias, nas quais vence o mais rápido, sem divisão por categoria. É um sorteio, o maior contra o menor, e quem perde vai embora. Não vale o tempo, mas sim quem chega na frente. E o público adora isso.

A arrancada é uma paixão mundial, pois tem tudo a ver com os carros de rua. Quem não teve um Opala na família? É o que chama o público para dentro dos eventos, que sempre chamou. É uma modalidade diferente.”

O lendário Opala mais rápido do mundo e aniquilador de recordes era a atração principal para a multidão que lotava as arquibancadas do AIC. Crédito: Arquivo pessoal.

Blog MILITEC 1 – Chegou a pensar em disputar o Armagedom?

Não tem como participar dessas competições, pois não há o tratamento de pista. Isso pode dar problema para um carro com tanta potência, seria necessário mudar totalmente a concepção do YBL, dos pneus, e diminuir a potência.”

Blog MILITEC 1 – O Armageddon chegou para ficar?

Com o público liberado, eu acredito que vai dominar a arrancada no país. Oferece prêmios em dinheiro. Os vencedores ganham R$ 40 mil, R$ 50 mil. E nós, ganhávamos o quê? Uma galinha (rs). Lógico, tínhamos o apoio de multinacionais, trabalhamos com a líder mundial de pneus, e foi a época em que a arrancada se espalhou para o mundo inteiro.”

Blog MILITEC 1 – E essa história de o Yellow Black Lethal participar da disputa mundial para virar um modelo Hot Wheels?

Até hoje muitos brasileiros se identificam com o Opala, um ícone da indústria automotiva brasileira. Confesso que nesses 33 anos de história entre mim e o YBL vivenciamos um momento ímpar, representando uma nação no concurso mundial (o Hot Wheels Legends Tour).

Fazer parte da família Hot Wheels, meu Deus, seria o coroamento da nossa história. E cheguei à seguinte conclusão: que a estética, o blower, o design do Opala, a cor, tudo tem o espírito do Hot Wheels

Ganhamos a fase regional Brasil, entre mais de 1.000 carros customizados inscritos (foi a primeira vez que o concurso mundial chegou ao país). A final foi na área exclusiva de Hot Wheels, dentro do parque Beto Carrero World, em Penha (SC), transmitido pelo SBT

Para as finais da etapa global, enviaram uma equipe para fazer o vídeo sobre o YBL. Foi uma megaprodução. No entanto, não sei por qual motivo esse vídeo não foi mostrado aos jurados. Estava concorrendo com Japão, Inglaterra, Chile, México, Malásia, Austrália, Canadá, Alemanha e EUA.

Exibiram um vídeo enviado à época da inscrição, feito por um funcionário meu, pelo celular. Aliás, nem sabia que estava concorrendo. Só soube quando ele me disse que avancei à final da fase regional.

E como os jurados iriam votar desse jeito? Todos os países finalistas com vídeos bem produzidos e o Brasil com um vídeo de celular, inclusive não mostraram o meu depoimento, em que contei a minha história com o carro.

Falei com os representantes da Mattel (dona da marca Hot Wheels), que disseram que os jurados assistiram. Porém, viram quando e quanto do vídeo? Se tivessem visto…

Scort e o Opala YBL venceram a fase regional do Hot Wheels Legends Tour, com a finalíssima montada no Beto Carrero World, em Santa Catarina. Crédito: Arquivo pessoal.

Não fiquei bravo por ter perdido, pois eu sei perder. Mas, vamos perder brigando em igualdade. Era preciso mostrar que o Brasil tem qualidade. Nem sequer o interior do carro foi exibido.

Na final ficaram Malásia, Austrália e Inglaterra, e a Inglaterra levou (o veículo vencedor será transformado numa miniatura feita pela marca em escala de 1:64 e que será vendida em todo o mundo).

Paciência, vamos aguardar o próximo Legends Tour. Ou então, quem sabe, um Hot Wheels em âmbito nacional. Já estou conversando com os colecionadores para fazer essa pressão.”

Blog MILITEC 1 – Tem ideia do valor do YBL hoje no mercado?

É difícil quantificar todo o investimento ao longo dos anos. Olhando para o carro, só a mecânica (motor, câmbio, blower) gira em torno de 100 mil dólares (perto de R$ 600 mil na cotação atual).

Tem ainda o valor sentimental de 33 anos de parceria. Aí não tem preço. Ele é a minha identidade. E identidade não se vende.”

Blog MILITEC 1 – Sua garagem é repleta de troféus e quadros? Quantas conquistas teve em três décadas?

É difícil dizer, terei de contar os troféus. Em média, fazia dez arrancadas por ano e, às vezes, em mais de uma categoria. É muita coisa. Tem troféus e medalhas de quarto, quinto, sexto lugar e muitos de primeiro.

Na vida, você também precisa saber perder. É uma consequência, mas sempre buscando o lugar mais alto do pódio. Todo mundo quer ganhar, mas somente um vai conseguir o primeiro posto (Scort fez perto de duas mil largadas em três décadas nas pistas).

Além dos troféus e quadros, na garagem tenho imagens de competições e dos lugares por onde passamos, de exposição, de arrancada, recordes, e desenhos que os fãs me mandaram.

O gigantesco blower, montado num scoop em alumínio, é a marca registrada do Opala YBL. Crédito: Arquivo pessoal.

Blog MILITEC 1 – Qual é o sentimento que fica com o fim do autódromo de Pinhais?

O AIC sempre foi o templo da arrancada nacional, a vitrine, todo aquele glamour. Lá, a gente viveu o maior momento da modalidade, sem dúvida.

A arrancada nunca morre. Quantas categorias do automobilismo já se encerraram, e a arrancada continua, tem seu público fiel, que é o pessoal das ruas.

Há várias competições e pistas pelo Brasil, mas o AIC era o que fazia a diferença. Era onde aconteciam os megaeventos, como os festivais, com 500 carros e de 30 a 40 mil pessoas na arquibancada. Era uma coisa de louco.” 

Blog MILITEC 1 – Os carros de arrancada também são consumidores fiéis do MILITEC 1. Você era um dos que usavam?

Sim, sempre usei, desde que foi lançado no Brasil. Tenho uma história até interessante com o MILITEC 1

Toda a vez que eu saio do autódromo com o Opala após um evento, é retirado o óleo porque o metanol contamina o lubrificante. Ou seja, o motor fica sem óleo. E aí é colocado um novo em seguida (quando ele ficar sem competir).

Certa vez, fomos funcionar o Opala após dois meses estacionado. Ligava o carro, mas não dava pressão de óleo. Então, desligava e ligava novamente e nada da pressão do óleo. 

E esse motor não tem vareta de óleo. Perguntei ao mecânico se tinha colocado o lubrificante e ele disse que sim. Liguei mais algumas vezes e nada da pressão do óleo

Pedi para retirar o bujão do cárter e vimos que estava sem óleo. Isso significa que, se não tivesse o MILITEC 1, eu tinha perdido o motor. O produto fixa nas peças, protegendo-as. O óleo saiu, mas o MILITEC ficou

Eu só não surrei o mecânico porque não perdemos nada (rs). Se não tivesse o MILITEC, tinha grudado tudo, derretido o motor. A pressão do blower é muito alta. Imagine a força dos pistões em cima das bronzinas.

Eu sou testemunha de que o produto é muito bom, que realmente funciona. Com essa experiência não preciso falar mais nada. Tenho caixas em casa, que uso no motor, no câmbio e no diferencial dos veículos em que faço restauração. Também adiciono em motos.”

Porsche em fase de restauração na garagem da Scort Drag Racing. Crédito: Arquivo pessoal.

Blog MILITEC 1 – Para finalizar, fale um pouco desse trabalho de restauração que você faz em paralelo à arrancada.

Meu irmão é importador e traz veículos dos EUA. Restauramos e vendemos para colecionadores em São Paulo. É um negócio que comecei em 2010, e também leva o nome da Scort Drag Racing. Só é difícil achar mão de obra especializada.

Tem anos que conseguimos restaurar de cinco a seis carros.  É tudo bem artesanal. Garimpamos peças de carros bem antigos, da década de 1950, por exemplo, como um Messerschmitt 1955, em que estou trabalhando atualmente. Também tem um Porsche de 1966, uma Honda 600, ano 1974, um Datsun motor Nissan 1981e um Cadillac da década de 1980

Mas não é fácil encontrar peças originais. Para restaurar o logotipo do Messerschmitt, por exemplo, levou quase um ano. E, com a pandemia, deu uma parada. Em 2020, fizemos dois exemplares e, em 2021, três.”

O pequeno e exótico Messerschmitt, ano 1955, é um dos projetos de restauração de Scort, no trabalho que faz paralelamente à arrancada. Crédito: Arquivo pessoal.

Entenda o MILITEC 1

É o primeiro e melhor condicionador de metais, que protege o seu equipamento de verdade, porque é o único com a exclusiva tecnologia Dry Impregnated Lubrication. 

O MILITEC 1 simplesmente usa o lubrificante como um meio para chegar às superfícies metálicas em atrito e aos pontos críticos de calor dentro do equipamento. Chegando a esses locais, o produto sai completamente do lubrificante e as moléculas de MILITEC 1 fixam-se na superfície metálica (adsorção*). Isso ocorre entre 38º C e 66º C, dependendo das condições de atrito e carga.

O efeito dessa reação enrijece a superfície metálica (não a endurece), tornando-a aproximadamente 17 vezes mais resistente quando a reação se completa.

Além do aumento da resistência metálica, o MILITEC 1 reduz drasticamente o atrito, melhorando o aproveitamento de energia, resultando em aumento da potência e/ou diminuição do consumo, além de reduzir as emissões de gases poluentes. *Adsorção é a fixação de molécula de uma substância na superfície de outra.

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