10 de setembro de 2021

O entregador de pizza que virou fenômeno nas redes sociais e nas pistas

Fabinho da Hornet conta como surgiu a paixão pela moto ícone da Honda que o transformou numa celebridade no mundo das duas rodas

Desde 2016, o grid do SuperBike Brasil passou a contar com o piloto Fabio Henrique Puccini. Talvez, pelo nome de batismo, só quem acompanha motovelocidade saberá de quem se trata, mas basta chamá-lo pelo apelido de Fabinho da Hornet para que vire uma celebridade no mundo das duas rodas.

Esse paulistano de família humilde, nascido em 1987, na Penha, Zona Leste de São Paulo, ficou famoso pelo seu caso de amor com a motocicleta ícone da Honda.

Essa relação teve início em 2012, quando realizou um sonho de consumo da juventude: comprar uma CB 650F Hornet. Mal sabia ele que, naquele momento, a sua vida se transformaria para sempre.

Entregador de pizza aos 17 anos, Fabinho, hoje com 34 anos, é um dos principais nomes da motovelocidade no Brasil e um fenômeno nas redes sociais, com 1,32 milhão de inscritos em seu canal do YouTube, 135,5 mil inscritos no Facebook  e 350 mil seguidores no Instagram.

O blog MILITEC Brasil conversou com o piloto, youtuber, influenciador, empresário e analista de sistemas por formação sobre a sua história de superação e de sucesso, o milagre em nascer de novo após um gravíssimo acidente de moto e, é claro, a paixão incondicional pela Hornet.

Blog MILITEC – Quando começou a tomar gosto por motos?

Fabinho da Hornet – Por volta dos 16 anos. Na escola havia uma molecadinha que ia de Dream (Honda C100) e Crypton (Yamaha T115). Eu ficava louco para ter uma motinha dessa, mas não tinha condições financeiras.

Então, comecei a juntar uma parte do dinheiro que minha mãe me dava para comer e consegui comprar uma mobilete. E foi ali que começou a minha paixão.

Blog MILITEC – A Hornet veio logo em seguida?

Fabinho da Hornet – Não. Demorou bastante. Quando o meu pai, Dráusio Puccini, faleceu, eu tinha 17 anos e as coisas ficaram difíceis em casa. Ele era a renda principal da família. Começou a faltar muita coisa. O dinheiro da minha mãe, Ivete dos Santos, mal dava para pagar as contas. Além de mim, havia ainda as minhas duas irmãs: Ederli e Clarice.

Chegamos até a receber doação de cesta básica por falta de comida. Arranjei dois empregos para ajudar no sustento, dividindo o trabalho com os estudos. De dia era estagiário e à noite entregava pizza e pastel com uma CG 125 que adquiri na época. As coisas então foram melhorando e veio o sonho da Honda Hornet.

Entrei num consórcio e fiquei pagando três anos e meio sem ver a cor da moto. Só em 2012 consegui dar um lance e levá-la para a casa. O preço da carta de crédito à época era de R$ 33 mil.

Fabinho e a sua CB 600F Hornet, comprada via consórcio em 2012.

Blog MILITEC – Como surgiu a paixão pela Hornet?

Fabinho da Hornet – O dono da pastelaria que eu fazia entrega, no meu primeiro emprego, tinha comprado uma Hornet carburada novinha. Nunca tinha andado em uma, então pedi para dar uma volta. Ele disse que eu era o único entregador que confiava em deixar subir na sua moto. Porém, devido ao alto preço dela, impôs uma condição: se caísse, eu tinha que dar uma outra moto zero km.

Aceitei e pedi para que fosse comigo na garupa. Estava com medo de acelerar, e a ideia era uma voltinha no quarteirão, devagarinho, só na primeira marcha. Quando veio uma retinha, ele me incentivou a trocar para segunda, terceira marcha e acelerar. Ao sentir a resposta e a força da moto, o meu coração disparou e deu uma tremedeira nas pernas. Foi paixão à primeira vista.

Agradeci a oportunidade que ele me deu e pensei: agora vou comprar a minha.

Blog MILITEC – Durante o período de motoboy, chegou a ser assaltado?

Fabinho da Hornet – Sim, a profissão de motoboy é muito vulnerável. Tive a moto roubada duas vezes durante os cinco anos que trabalhei como entregador. Porém, consegui recuperar nas duas oportunidades.

Uma tinha alarme de aproximação e a outra, um rastreador. Antigamente, o seguro para moto era muito caro. Hoje está mais acessível.

Não chegaram a me machucar. Roubo de motos de baixa cilindrada dificilmente tem violência. Já na de alta cilindrada, a abordagem é diferente, com maior risco de machucarem você.

Blog MILITEC – Quando o Fabio Henrique virou o Fabinho da Hornet?

Fabinho da Hornet – Quando comprei a minha Hornet, eu não conhecia ninguém que tinha moto de alta cilindrada. Por isso, acabei entrando num fórum de internet e comecei a fazer rolês com a galera de lá.

Conheci um participante que usava uma câmera para gravar seus passeios. Ele dizia que publicava no YouTube, e eu nem sabia o que era YouTube naquela época. 

Quando ele colocou o link de uma das gravações no fórum, então eu vi que além da imagem era possível captar a fala. Na hora pensei: “isso é a minha cara!”.

O colega da gravação foi muito gente boa e me orientou sobre qual câmera e microfone eu deveria comprar e como gravar. Foi ali que comecei a fazer vídeos para o YouTube, em 2013 mesmo.

Não imaginava que ganharia tamanha proporção. Postava apenas no fórum, que tinha umas cem pessoas. Achava que somente elas estavam assistindo. Só que cada uma conhecia e compartilhava os vídeos com outras cem pessoas.

Eu não estava entendendo nada, nem minha família, e minha mãe muito menos. Só via o canal crescer e crescer. Quando percebi, já estava sendo convidado para eventos e inauguração de lojas, vieram os patrocínios, um monte de coisa que não imaginava lá no início.

Blog MILITEC – Como surgiu o apelido e como são os conteúdos das suas redes sociais?

Fabinho da Hornet – O apelido criado por mim veio a partir do Fabinho, como sou chamado na família, e o fato de ser um amante de Hornet.

As postagens, na maioria, sempre estão relacionadas aos meus rolês com a minha moto. Não abandonei a origem. Isso para mim é muito importante.

As pessoas que estavam comigo desde o início continuaram, pois procuravam esse tipo de conteúdo. Às vezes também posto dicas (de pilotagem, manutenção e preparação), falo de acessórios para duas rodas (Fabinho tem uma loja virtual), eventos que a Honda me convida, lançamento de motos, eventos de carros antigos e corrida de motovelocidade.

Blog MILITEC – A Hornet 2012/2013 é a única da sua vida? Você fez alguma modificação nela?

Fabinho da Hornet – Sim, só tive essa Hornet até hoje. Só trocaria se fosse lançada uma nova. Na verdade, você equipa uma Hornet aos poucos. Peças como escapamento e retrovisores são muito caras para esse tipo de moto. Cada ano que passava, eu colocava um acessório novo.

Também ia me equipando, com macacão, por exemplo, e melhorando a câmera para fazer a gravação para o canal de YouTube. Fiquei um tempo sem mexer nela. Só quando o canal começou a crescer eu voltei a equipá-la, pois os preços das peças eram altos.

A minha Hornet injetada também saiu mais esperta de fábrica que outros exemplares. Coloquei-a no dinamômetro e a cavalaria verificada foi maior (o modelo tem 102 cv originalmente).

Blog MILITEC – Quais são os seus principais passatempos com a Hornet?

Fabinho da Hornet – Os rolês que eu faço são sempre viagens, cair na estrada. Não sou muito de rolê pela cidade. A viagem mais longa que fiz foi para Ribeirão Preto (SP), num passeio com amigos.

Na época que Fabinho era entregador de pizza e na cadeira de rodas ao lado da mãe, Ivete, após grave acidente.

Blog MILITEC – Você sofreu algum acidente de rua?

Fabinho da Hornet – Sim, e quase morri. Cerca de um ano após comprar a Hornet, estava a uns dois quarteirões de casa e um carro fez uma conversão proibida. Para não bater nele, freei forte, travou a roda da frente, pois não tinha ABS. A moto saiu de frente e caiu sobre a minha perna. Tive a artéria femoral rompida e precisava ser atendido em 15 minutos senão morreria.

Fui levado rapidamente para o hospital. No meio da cirurgia tive uma parada cardíaca e precisei ser reanimado. Fiquei em coma por dois meses.

O diagnóstico que a minha mãe recebeu do médico era que teria de amputar a perna. Mas, graças a Deus, deu tudo certo e saí do coma, ficando ainda mais um mês na UTI.

Para piorar, peguei uma bactéria hospitalar e fiz um tratamento em casa com antibióticos por sete meses. E ainda tinha o ferro e aquela gaiola de proteção na perna, pois havia também quebrado o fêmur em três partes. Só operei depois de matar a bactéria. Foram mais dois anos de fisioterapia. Foi um período bastante sofrido.

Blog MILITEC – Como ficou o canal nesse período em que ficou afastado?

Fabinho da Hornet – O canal continuava em alta. O pessoal ficou sabendo do acidente, fez corrente de oração e doação de sangue. A mulher do hospital veio me agradecer, pois, além de repor as 28 bolsas de sangue que precisei, ainda fez um estoque para o ano todo. Ela chegou a ajoelhar para me agradecer pela corrente de doação que foi feita por meio do meu canal.

Blog MILITEC – Como foi subir numa moto novamente?

Fabinho da Hornet – Achei que não voltaria mais a pilotar. Não conseguia dobrar as pernas. Era convidado a participar dos eventos, mas sem subir na moto.

Minha mãe ia sempre comigo. Teve um dia num evento em Itu (SP) que ela falou: “É, tá com vontade de andar de moto. Vai lá, vi que você tá triste”. Vontade eu tinha, só que estava morrendo de medo, traumatizado.

Ela, que nunca foi a favor de eu pilotar, me incentivou a pegar a moto numa área de estacionamento. Pilotei de forma bem respeitosa, engatando a primeira e a segunda somente. Queria ver como era sentir a emoção novamente.

A partir dali, vi que dava para voltar. E fiz isso assim que terminei a fisioterapia.

Um amigo consertou a Hornet e me deu de presente. Ela ficou “pronta” antes que eu. Ainda estava na UTI quando meus amigos pegaram a moto para arrumar e me fizeram essa surpresa, até como um incentivo para eu melhorar.

As primeiras vitórias na motovelocidade vieram no ano passado, após três anos na modalidade.

Blog MILITEC – Em que momento a motovelocidade entrou na sua vida?

Fabinho da Hornet – Eu sempre fui competitivo em tudo que participei. Nunca entrei em algo apenas para brincar. Sempre gostei de tudo valendo. Cheguei a jogar tênis e fui até federado, participando de campeonatos.

Certa vez fui fazer um test ride realizado pelo Bruno Corano, promotor do SuperBike Brasil (principal categoria da motovelocidade nacional). Tinha sido convidado pela assessora dele, que também era da Honda e já havia feito alguns trabalhos comigo.

Lá estavam as motos mais rápidas, da BMW, Kawasaki, entre outras. A assessora me perguntou por que eu não corria de SuperBike, já que gostava tanto desse universo de duas rodas.

Respondi que, além de não ter esse tipo de moto, também não tinha grana para participar. O custo para competir é muito alto. Ela então me apresentou para o Corano, que já me conhecia e perguntou se “o problema era só esse” (não possuir uma moto de competição e dinheiro para bancar a participação). Corano disse que resolvia. Quando ouvi isso me deu um frio na barriga.

Com ajuda dele, participei de uma prova e vi que poderia correr em alto nível. Fui atrás de motos e de patrocínios e comecei a competir. Já estou no meu quinto ano na modalidade.

Blog MILITEC – Como foi o seu início no SuperBike?

Fabinho da Hornet – Comecei na categoria monomarca Honda CBR 500R e lá fiquei por três anos. Quando essa categoria foi extinta, passei para a SuperSport 400, na qual correm (Kawasaki) Ninja 300 e Ninja 400 (Kawasaki), R3 (Yamaha), CBR 500R, moto que piloto até hoje, e Duke 390 (KTM). Os modelos competem juntos, mas fazem pódio separado.

Nos três primeiros anos, foi bem complicado, só que fui evoluindo bastante. Conseguia um pódio de quinto ou quarto lugar às vezes. No ano passado, comecei as quatro primeiras etapas lá atrás, porém, dei um salto e acabei sendo o campeão do Paulista e do Brasileiro na categoria CBR 500R. Em 2021, estou liderando e também brigando pelo título nas duas competições.

Para o ano que vem, eu devo trocar de moto e ir para a Ninja 400, categoria Master. Quero buscar uma briga mais legal, com maior número de competidores.

Fabinho é o atual campeão na categoria CBR 500R do SuperBike Brasil.

Blog MILITEC – A que você atribui esse sucesso todo nas redes sociais?

Fabinho da Hornet – São dois motivos: as pessoas dizem que sou engraçado de alguma forma, pelo jeito de falar, e também pela minha história. Uma pessoa que não tinha nada e buscou um sonho até conquistá-lo.

Eu mostro muito o meu dia a dia, que ralo muito para conseguir as coisas. As pessoas acham que o influenciador ganha muito dinheiro. Eu tenho mais de uma fonte de renda, inclusive, continuo trabalhando como analista de sistemas numa empresa, com carteira registrada.

Eu sempre digo para nunca desistirem de um sonho. Só que não é uma coisa rápida. Por isso, procuro motivar as pessoas. E o feedback que elas dão é muito legal.

“Nunca desista dos seus sonhos. Acredite. Haverá altos e baixos, problemas e dificuldades. Sonhos não foram criados para serem fáceis, mas para serem inesquecíveis.”

Blog MILITEC – Você sempre fala da família e demonstra todo o seu amor pela sua esposa e pelo seu cachorro. Fale um pouco deles.

Fabinho da Hornet – A minha esposa, Paloma de Santana Puccini, é fundamental na minha vida. Eu não me vejo sem ela em momento nenhum. E eu sei que o mundo de motos não é o preferido dela. Se a Paloma pudesse escolher, certamente não seria no autódromo que ela estaria comigo, mas sim viajando, num restaurante…

Só que ela sabe do meu amor por motos e pelo que faço nas redes sociais. Por isso, está sempre comigo nas corridas, como mulher, apoiadora e conselheira. A Paloma é meu braço direito e esquerdo, presente nos meus sonhos, conquistas e problemas.

Faço questão de levá-la ao trabalho dela. A gente tá de moto praticamente todos os dias.

Outra paixão é a Margareth. Tenho um galgo italiano que veio seis meses depois de nos casarmos, no fim de 2019. A Paloma não queria um cão num apartamento. E a condição para ela aceitar foi a de que eu cuidasse de tudo.

Pesquisei um cachorro que não desse muito trabalho, que não soltasse pelo, quase não latisse e ficasse bem sozinho. Eu vi tanto vídeo sobre cão que acho que já sei até operar um.

Tudo que eu prometi para cuidar da Margareth está sendo cumprido. Ela virou a alegria da casa, e a minha esposa hoje, se bobear, gosta mais do galgo do que mim.

Família Hornet: Fabinho com a esposa, Paloma, e a cachorra da raça galgo italiano Margareth.

Blog MILITEC – Este ano, a MILITEC Brasil passou a patrocinar você no SuperBike. Você usou o MILITEC 1 nas provas? O que o produto proporciona?

Fabinho da Hornet – Sim, tanto na CBR 500R de pista quanto na CB 650F Hornet do dia a dia. É um produto que aumenta a durabilidade do motor e melhora o consumo de combustível.

Entenda o MILITEC 1

MILITEC 1 é o primeiro e melhor condicionador de metais, que protege o seu equipamento de verdade, porque é o único com a exclusiva tecnologia Dry Impregnated Lubrication. MILITEC 1 simplesmente usa o lubrificante como um meio para chegar às superfícies metálicas em atrito e aos pontos críticos de calor dentro do equipamento. Chegando a esses locais, MILITEC 1 sai completamente do lubrificante e as moléculas de MILITEC 1 fixam-se na superfície metálica (adsorção*). Isso ocorre entre 38 OC e 66 OC, dependendo das condições de atrito e carga. O efeito dessa reação enrijece a superfície metálica (não a endurece), tornando-a aproximadamente 17 vezes mais resistente quando a reação se completa. Além do aumento da resistência metálica, MILITEC 1 reduz drasticamente o atrito, melhorando o aproveitamento de energia e resultando em aumento da potência ou diminuição do consumo, além de reduzir as emissões de gases poluentes.

*Adsorção é a fixação de molécula de uma substância na superfície de outra.

1 Comentário

  1. John Grassmuck disse:

    Legal a história .

    1

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